Aproveitar os feriados de 3 e 10 de Junho e simultaneamente divulgar os vinhos produzidos no Algarve são os principais objectivos da Mostra Gastronómica de Faro 2010 «Sabores da Ria Formosa».
Organizada pela Câmara de Faro e pela AmbiFaro, a iniciativa realiza-se de 2 a 12 de Junho e, segundo Francisco Paulino, deverá ter entre “70 a 80 restaurantes aderentes”.
De acordo com o presidente do conselho de administração da Ambifaro, além de potenciar o negócio dos restaurantes – com o previsível aumento do número de visitantes por causa dos feriados – a mostra também pretende “dar a conhecer à restauração do concelho os vinhos da região”, ajudando dessa forma os produtores a escoar os seus produtos.
Pela mesma razão, a apresentação da Mostra Gastronómica «Sabores da Ria Formosa», realizada a semana passada na Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve, foi precedida por uma prova de vinhos regionais, onde participaram dez produtores algarvios.
“É uma iniciativa de grande mérito, desde logo porque os restaurantes aderentes só vão vender vinho produzido no Algarve – isso para nós é muito bom”, disse ao semanário «O Algarve» João Mariano, vitivinicultor responsável pela Quinta da Penina.
Os restaurantes aderentes vão ter três menus diferentes, mas todos eles devem utilizar “a matéria-prima da nossa Ria, como a amêijoa ou a lingueirão”, adiantou Francisco Paulino.
Segundo o mesmo responsável, além das ementas, os restaurantes vão ainda disponibilizar “dois ou três vinhos produzidos no Algarve e algumas sobremesas típicas, como o morgado de figo ou a tarte de amêndoa”.
Esta iniciativa nasce do entendimento entre as partes e não terá custos para a autarquia, excepto os inerentes aos recursos humanos afectos à organização do evento.
«O renascer de uma velha tradição». Depois de um período de quase abandono – na década de 1980 – a vitivinicultura algarvia está a reaparecer, mas com uma nova roupagem: a da qualidade.
De acordo com o livro «A vinha e o vinho no Algarve – o renascer de uma velha tradição», “a região tem potencialidades intrínsecas para se afirmar na nova vinicultura nacional. Tem solo, clima, castas e, sobretudo, uma grande imagem de marca a explorar: o Algarve”.
Segundo o trabalho coordenado por João Bernardes e Luís Oliveira, do Centro de Estudos do Património da Universidade do Algarve, “numa região visitada anualmente por vários milhões de turistas, nacionais e estrangeiros, uma aposta nos produtos regionais de qualidade tem, à partida, imensas possibilidades de sucesso”.
Um exemplo. A Quinta da Penina é um bom exemplo da nova vitivinicultura algarvia. Localizada na zona de Portimão, nasceu há dez anos e começou a produzir vinhos em 2005. A principal marca da Quinta da Penina é o «Foral de Portimão», um tinto, a especialidade do produtor, embora no ano passado já tenha feito brancos e este ano rosés. Ao todo, em 2009 produziu 40 mil garrafas.
Os vinhos do Algarve, diz João Mariano, “são muito bons, mas falta-lhes tempo – tempo para terem notoriedade”.
A produção regional mudou muito nos últimos dez anos. Inicialmente o vinho era produzido apenas nas adegas cooperativas, mas depois apareceram as quintas, como novas tecnologias e novos métodos de fabrico. Plantaram-se novas castas e já não se utilizam apenas as autóctones, mas várias nacionais e também importadas.
Os vinhos do Algarve são agora premiados em vários concursos internacionais. “Todos os anos concorrem produtores do Algarve e todos os anos temos vinhos medalhados”, sublinha João Mariano.
4 Junho 2010
Fonte: O Algarve







